EMBOLIA PULMONAR
v Conceito / fisiopatologia
A
embolia pulmonar (EP) ocorre como consequência de um trombo, formado no sistema
venoso profundo, que se desprende e, daí o termo adotado por muitos grupos de
doença venosa tromboembólica. Depois que
a trombose venosa profunda se desenvolve, o coágulo pode se deslocar e se mover
pelo sistema venoso e coração direito para se alojar nas artérias pulmonares,
ocluindo parcial ou totalmente um ou mais vasos. As consequências dependem do
tamanho e do número de êmbolos, condição subjacente dos pulmões, grau de funcionamento
do ventrículo direito e habilidade do sistema trombolítico intrínseco corporal
de dissolver os coágulos.
A
morte ocorre em decorrência de uma falha no ventrículo direito. Pequenos
êmbolos podem não ter nenhum efeito fisiológico agudo e muitos podem iniciar a
lise imediatamente e desaparecer em horas ou dias.
Êmbolos
maiores podem desencadear aumento reflexo da ventilação (taquipneia), hipoxemia
por desequilíbrio de ventilação/perfusão e baixo teor de oxigênio no sangue
venoso misto como resultado do baixo débito cardíaco, atelectasia decorrente da
hipocapnia alveolar e anormalidades no surfactante e aumento na resistência
vascular pulmonar causado pela obstrução mecânica e vasoconstrição.
A
lise endógena reduz a maioria dos êmbolos, mesmo aqueles de tamanho moderado, e
as alterações fisiológicas diminuem no decorrer de horas ou dias. Alguns
êmbolos resistem à lise e podem se organizar e persistir.
De
acordo com os efeitos fisiológicos, pode ser classificada como:
Ø Maciça:
Função ventricular direita prejudicada com hipotensão, como definido por uma PA
sistólica < 90 mm Hg ou uma queda na pressão arterial sistólica ≥ 40 mm Hg
em relação à linha de base por um período de 15 min; prediz um risco
significativo de morte dentro de horas ou dias.
Ø Submaciça:
Função ventricular direita prejudicada sem hipotensão
Ø Pequena:
Ausência de comprometimento do ventrículo direito e ausência de hipotensão.
O
risco de morte depende do grau e da taxa de aumento nas pressões cardíacas do
lado direito e do estado cardiopulmonar subjacente do paciente. Pacientes com
doença cardiopulmonar preexistente têm maior risco de morte, mas jovens e/ou
pacientes saudáveis podem sobreviver à EP.
Ø Fatores como:
- Emprego de estrogênios como método de anticoncepção ou como terapia
de reposição hormonal é correlacionado com maior incidência de tromboembolismo
venoso . O tempo de uso e de suspensão dos contraceptivos também está
correlacionado ao risco de trombose, sendo maior nos quatro primeiros meses
após o início do medicamento e desaparecendo três meses após a suspensão.
- O acidente vascular encefálico (AVE) deve ser considerado fator
predisponente para o tromboembolismo venoso.
- Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são situações clínicas
predisponentes ao tromboembolismo venoso. A estase venosa proporcionada pela
hipertensão pulmonar e a liberação de substâncias trombóticas, presentes nessas
situações, aumentam o risco.
v Patogênese
- Definição
de embolia: Presença de um corpo sólido, líquido ou
gasoso na circulação.
- Qual
o principal problema de haver um embolo na circulação?
Obstrução vascular levando um processo de isquemia e posteriormente a necrose
do tecido afetado.
·
Embolia pulmonar.
É na maioria das vezes causada
por um trombo que se tornou um êmbolo que obstrui a circulação pulmonar.
O embôlo que chegam até os
pulmões acometem principalmente as veias
femorais e também no átrio/ ventrículo direito.
Ø Temos
3 tipos de êmbolos que podem causar
a embolia pulmonar:
1
– Êmbolos Grandes: Está associado a causa de morte súbita,
chamada de ”cor pulmonale”, geralmente
esse tipo êmbole são formados em paciente acamados.
2
–Êmbolos Médios: Muitas vezes são assintomáticos. Nos casos
de INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA (ICC), pode causar a hipóxia, resultante
da fixação do êmbolo.
3
–Êmbolos pequenos: Pacientes que tem formação de pequenos
êmbolos podem se direcionar aos pulmões, obstruindo um arteríola ou um capilar
que irriga a um alvéolo por exemplo, com isso vai formando vários trombos na
região pulmonar até chegar a um ponto de preenchimento total do tecido,
causando, morte súbita. Com 30% de
obstrução vascular do pulmão já pode ter quadro de morte súbita.
Ø Embolia gasosa
As
bolhas gasosas formadas através dos procedimentos cirúrgicos, traumas, infusões, ou seja, a entrada de ar na
circulação sanguínea podem ser potencialmente fatais, pois estas circulam ao
longo dos vasos sanguíneos.
Descompressão: Em
zonas de menor pressão, o volume das bolhas aumenta, podendo alojar-se nos
vasos de menor calibre, capilares, obstruindo o fluxo de sangue. Dissolve muito
nitrogênio (N2) na corrente sanguínea, quando voltapara a superfície, esses
gases voltam para forma gasosa. Se ele sobe de forma brusca, há formação de
bolhas de ar na circulação podendo causar a chamada “doença do caixão” pela
formação da necrose devido a presença do êmbolo gasoso obstruindo por muito
tempo o vaso causando isquemia.
Esta obstrução da circulação
pode causar não só a deterioração dos tecidos, como levar à isquémia, podendo
levar à morte de um individuo.
As embolias gasosas podem
ser classificadas em embolias arteriais e venosas, dependendo do mecanismo da
entrada no sistema circulatório, assim como o local onde elas se instalam.
Ø Embolia arterial:
Uma
embolia gasosa arterial ocorre quando há entrada de ar na corrente sanguínea
arterial.
O ar
proveniente das artérias expande excessivamente os pulmões, devido a uma lesão
causada pelas diferenças de pressão. As principais causas da embolia gasosa
arterial são o uso da circulação extracorpórea, os procedimentos
neurocirúrgicos realizados na posição sentada e na realização de mergulho
através da variação da pressão com a profundidade, quando os mergulhadores
ascendem rapidamente, ocorre a expansão gasosa pulmonar e eventual rutura
alveolar, ocorrendo neste caso a entrada de ar nas veias pulmonares.
Ø Embolia gasosa venosa:
Uma
embolia gasosa venosa ocorre quando existe a entrada de ar na circulação venosa
e atinge o ventrículo direito e/ou a circulação pulmonar, sendo considerado um
dos maiores problemas clínicos.
Nas
embolias gasosas o ar é transportado para os pulmões através da artéria
pulmonar. Neste caso a presença das bolhas de ar não provoca apenas a obstrução
do fluxo sanguíneo, levando também a que os GVs, os GBs e as plaquetas se
agreguem em torno das bolhas de ar. Estas estruturas levam a um aumento da
permeabilidade da membrana, e numa última fase, causando o edema pulmonar.
É
possível ainda que a entrada de ar para os pulmões se manifeste através de
alterações cardiopulmonares: arritmias cardíacas, hipertensão pulmonar, pressão
no ventrículo direito e insuficiência cardíacas. Relativamente ao quadro
neurológico pode causar confusões, ansiedade, convulsões, deficit motor e coma.
Ø Embolia líquida:
·
Gordura
líquida
A embolia gordurosa é quatro vezes mais
frequente em pacientes jovens em comparação com idosos, possivelmente pela
fibrose de medula óssea. A hipoxemia após fraturas de ossos longos é
frequente, e a embolia gordurosa é causa provável em substancial número de
caso, a causa da hipoxia é a disfunção pulmonar induzida pelos êmbolos de
gordura.
O movimento dos fragmentos do osso leva a uma
ruptura do osso medular e extravasamento de conteúdos da medula óssea para a
circulação.
Outro
fator conhecido, a lipoaspiração.
·
Embolia
líquida amniótico (ELA)
Ocorre
quando se dá a infusão de líquido amniótico devido a uma lesão na hora do
parto, como uma veia uterina. A causa mais aceita é a de que no momento em que
as células fetais e conteúdos do líquido amniótico entram em contato com a
corrente sanguínea da mãe, levando à alteração respiratória, cianose, choque
cardiovascular seguido por convulsões e coma profundo.
·
Embolia
neoplásica:
Ocorre
quando o indivíduo já tem uma neoplasia maligna em fase metástase, já tendo
células cancerígenas no vaso sanguíneo. Essas células sofrem um crescimento,
proliferam e podem formar um êmbolo.
O
tromboembolismo venoso é uma complicação frequente dos pacientes com neoplasia.
Há relatos sobre a associação entre câncer e trombose, vários estudos têm
confirmado essa observação. As neoplasias de pâncreas, pulmão e trato
gastrointestinal são aquelas em que a associação é mais evidente. A trombose
venosa pode surgir como sinal premonitório, semanas ou meses antes da detecção
da neoplasia.
v Sinais e sintomas
Muitas embolias pulmonares
são pequenas, fisiologicamente insignificantes e assintomáticas. Mesmo quando
existentes, os sintomas são inespecíficos e variam quanto à frequência e à
intensidade, dependendo da extensão da oclusão vascular pulmonar e da função
cardiopulmonar preexistente.
-
Os êmbolos frequentemente causam:
-Dispneia aguda
-Dor torácica pleurítica
-A dispneia pode ser mínima em repouso e pode
piorar durante as atividades.
-
Os sintomas menos comuns incluem:
- Tosse -Hemoptise (Hemorragia de origem
pulmonar, escarro com sangue)
-Em pacientes idosos, o primeiro sintoma pode
ser estado mental alterado.
-A EP maciça pode se
manifestar com hipotensão, taquicardia, tontura leve, ou parada cardíaca.
-
Os sinais mais comuns da EP são:
- Taquicardia, Taquipneia.
- Os pacientes com embolia
pulmonar aguda também podem apresentar sintomas de trombose venosa profunda.
v Diagnóstico:
- Avaliação da probabilidade
pré-teste (com base nos achados clínicos, incluindo oximetria de pulso e na
radiografia de tórax).
- Testes subsequentes com
base na probabilidade pré-teste.
O
diagnóstico é desafiador, uma vez que os sinais e sintomas são inespecíficos e
os testes diagnósticos não são 100% sensíveis ou específicos. É importante
incluir a EP no diagnóstico diferencial quando são encontrados sintomas
inespecíficos como dispneia, dor torácica pleurítica, hemoptise, tontura leve
ou síncope.
A
avaliação inicial deve incluir oximetria de pulso, eletrocardiograma (ECG) e
radiografia de tórax. Um ECG, gasometria arterial ou ambos podem ajudar a
excluir outros diagnósticos (p. ex., infarto agudo do miocárdio).
A
oximetria de pulso fornece uma forma rápida de avaliar a oxigenação; a
hipoxemia é um sinal de EP e requer avaliação adicional. A medição da
gasometria pode mostrar uma diferença maior de oxigênio alveolar-arterial.
Ø Exames diagnósticos
Fazer
rastreamento com teste do dímero-D se a probabilidade pré-teste for improvável
Se probabilidade pré-teste
for provável ou se o resultado do teste de dímero-D for elevado, realizar uma
angiografia por TC, ou uma cintigrafia quando a TC com contraste for
contraindicada. Não existe nenhum algoritmo aceito de maneira universal para a
abordagem de embolismo pulmonar grave suspeito. Os testes mais úteis para
diagnosticar ou excluir uma EP são:
-
Testes de dímero D;
-Angiografia
por TC;
-Cintigrafia
V/Q ;
-Ultrassonografia
dúplex;
- Dímero-D: é um subproduto da fibrinólise intrínseca; assim, níveis
elevados ocorrem na presença de trombo recente. Contudo, níveis elevados não
são específicos para trombose venosa porque muitos pacientes sem trombose
venosa profunda (TVP) ou EP também têm níveis elevados. Portanto, são
necessários testes adicionais quando o nível de Dímero-D é elevado ou quando a
probabilidade pré-teste para EP é provável.
- Angiografia por TC: é a técnica de imagem preferida para o
diagnóstico de embolia pulmonar aguda. Ela é rápida, precisa e altamente
sensível e específica. Ela também pode fornecer informações adicionais sobre
outra doença pulmonar (p. ex., mostrar uma pneumonia em vez de uma EP como a
causa de uma hipóxia ou dor torácica pleurítica).
-
Cintigrafias V/Q: na EP detectam áreas do pulmão que estão
ventiladas, mas não perfundidas. A cintigrafia V/Q demora mais tempo do que a
angiografia por TC e é menos específica. Contudo, quando os achados do raio-x
de tórax são normais ou quase normais e não existe doença pulmonar subjacente
significativa, ela é um teste altamente sensível.
-
Ultrassonografia dúplex: é uma técnica segura, não invasiva e
portátil para a detecção de trombos nas pernas ou nos braços (principalmente na
veia femoral). Pode-se detectar o coágulo mostrando compressibilidade baixa da
veia ou mostrando redução de fluxo por ultrassonografia Doppler.
- Ressonância magnética (RM): A possibilidade da visibilização das
artérias pulmonares, sem a necessidade da utilização de contraste iodado e sem
exposição à radiação, é a principal vantagem da RM.
-
Duplex-scan venoso: O exame é considerado positivo quando da
visibilização do trombo ou redução da compressibilidade das veias profundas dos
membros inferiores.
-
Tomografia computadorizada (TC) helicoidal: A TC helicoidal vem
sendo amplamente utilizada na investigação de pacientes com suspeita clínica de
EP.
-
Arteriografia pulmonar (AGP): A AGP é considerada o método
padrão para o diagnóstico da EP com a visibilização da circulação pulmonar,
após a injeção de contraste iodado.
v Tratamento:
Pacientes
com suspeita de TEP e hemodinamicamente instáveis devem receber suporte
hemodinâmico e respiratório adequados. A suplementação de O2 geralmente é
necessária para manutenção de saturação > 90% e/ou PaO2 > 70 mmHg,
inclusive com uso de ventilação mecânica.
Ø Anticoagulação
A anticoagulação de manutenção é indicada para
reduzir o risco de extensão de coágulos
ou embolização e para reduzir o risco de formação dos novos
coágulos.
Paciente
com câncer deve receber anticoagulação por 3 a 7 meses no mínimo; no entanto,
deve ser considerada sua manutenção por tempo indeterminado nestes casos.
As opções de fármaco para a anticoagulação de
manutenção incluem:
-Antagonista oral da
vitamina K (varfarina nos EUA)
-Inibidores orais do fator Xa (apixaban,
rivaroxaban, edoxaban)
-Inibidor oral direto de trombina
(dabigatrana)
- Heparina de baixo peso
molecular subcutânea, principalmente para pacientes com alto risco.
Ø Delta-T
para trombólise no TEP: é de até 7 dias
após o início do quadro.
A
embolectomia pode ser realizada de forma cirúrgica ou através de aspiração por
cateter, e está reservada aos pacientes instáveis com contraindicação à
trombólise.
Ø
Embolectomias
cirúrgica e percutânea:
Também
são tratamentos válidos, com sua principal indicação nos pacientes que
apresentam contra-indicação ao uso de fibrinolíticos (fármaco que degrada a proteína fibrilhar que forma o trombo) ou
mesmo sem resposta à sua infusão.
Ø Dispositivos para a profilaxia contra
embolia pulmonar
- Filtros
na veia cava inferior: O filtro de veia cava inferior está indicado na
prevenção de TEP em pacientes de alto e altíssimo risco, impossibilitados de
receber anticoagulantes ou com antecedentes de insucesso com as medidas usuais.
A implantação de filtros de veia cava é
terapia alternativa, que só deve ser indicada em casos de contra-indicação
absoluta de anticoagulação plena ou naqueles com eventos tromboembólicos de
repetição na vigência de anticoagulação efetiva.7 Seu uso previne somente a
ocorrência de TEP e, no entanto, está relacionada com complicações a longo
prazo como síndrome pós trombótica e recorrência de TVP.
- Compressão pneumática intermitente: Trata-se de um aparelho
que envolve as pernas do paciente e que, ao se insuflar de ar de forma
intermitente, comprime as panturrilhas do pcte diminuindo assim a estase
sanguínea e consequentemete o risco de formação de trombos no local. Indicado
para pacientes acamados.
Pode
substituir ou ser acrescentada aos esquemas com drogas antitrombóticas.
- Meias elásticas de compressão gradual: As meias de compressão fazem
uma pressão suave na altura do tornozelo e assim ajudam o sangue a fluir. A
pressão da meia, junto com o movimento da perna, ajudam o sangue a fluir das
veias superficiais para dentro das veias profundas e então retornar para o
coração. Essa circulação do sangue reduz o risco de a pessoa formar coágulos
nas veias profundas das pernas, o que poderia ser fatal se o coágulo se soltar
da veia e entrar nos pulmões.
Ø Cuidados Gerais:
- Mobilização ativa e
passiva dos MMII.
- Elevação dos pés e
deambulação precoce.
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